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Entrevista Margareth Souza – Xamanismo

 

Há 24 anos conduzindo grupos em workshops, palestras e vivências de autoconhecimento e cura interior, a terapeuta holística Margareth Souza é responsável por levar equilíbrio e guiar profundas transformações na vida de muitas pessoas que se permitem viver cada um destes processos pra lá de especiais.

 

Aqui, ela nos conta detalhes de sua trajetória, que envolve conhecimentos ancestrais como Xamanismo, Ayurveda, Reiki, Florais, Astrologia e Cosmologia Maia, entre diversos outros, confiram:

 

Você poderia nos contar um pouco sobre a sua trajetória de vida e como foi o seu primeiro contato com o conhecimento xamânico?

Sempre tive uma inquietação por desvendar os mistérios da vida, então desde minha infância busquei respostas em livros e cursos em diversas áreas do autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Acredito que essa busca começou dentro de casa com minhas avós, uma sendo benzedeira e outra católica praticante, e eu agradeço essa base espiritual que eu tive. A primeira grande virada em minha vida aconteceu quando estava prestes a completar 13 anos. Meu pai faleceu e sua morte prematura foi o gatilho para buscar mais profundamente esses entendimentos.  Frequentei centros espíritas kardecistas dos 14 aos 16 anos, e simultaneamente frequentava espaços e livrarias esotéricas atrás de conhecimento. Nessa época conheci minha primeira e grande Mestra, Lidia Zózima Sampaio, que me mostrou um mundo novo e me encaminhou em muitas iniciações, inclusive no xamanismo. Então em 1996/97 fui na minha primeira vivência xamânica com Zezito Duarte, Águia Azul, e quando eu ouvi o tambor tocar, quando entrei naquela tenda do suor, eu sabia que tinha encontrado minha tribo. Aquilo aqueceu meu coração, e percebi que tudo o que eu tinha buscado até então, comecei a encontrar nos simples ensinamentos dos povos nativos. Pela primeira vez, consegui aplicar o que eu vivenciava dentro das rodas na minha vida cotidiana.

 

O que é Xamanismo, quais são seus principais rituais, cerimônias e o que representam?

O berço do Xamanismo está na Sibéria onde feiticeiros e homens de conhecimento eram chamados de “xamãs”. Esses seres tinham o poder de comunicar-se com outros mundos, inferiores e superiores, vivendo em uma atmosfera de mistério e magia, e para se tornar um xamã deveriam passar pela iniciação de morte e renascimento, ou seja, ser um conhecedor do caminho entre as diversas dimensões e profundo mestre na arte de alteração de consciência.

Nas tribos dos índios norte americanos, por exemplo, esses homens e mulheres de conhecimento são conhecidos como “medicine woman e medicine man”, curandeiros e curandeiras.

Atualmente o Xamanismo tornou-se a referência para toda cultura, cantos, medicina, rituais e filosofia dos povos nativos de todo mundo, então quando ouvimos a palavra “Xamanismo” já conectamos a imagem aos povos indígenas.

 

 

Como é a sua relação com a natureza e de que forma ela está presente na sua rotina atual?

Primeiro precisamos entender o que é natureza. Muitas vezes as pessoas entendem que o contato com a natureza seja simplesmente ir a algum lugar natural, com mata preservada, cachoeira, etc. A minha relação com a natureza é a minha própria vida, somos parte do Todo e o Todo está em nós. A cada momento que sinto minha própria natureza, eu percebo como a natureza fora funciona. Para mim, o contato mais importante é com seu próprio biorritmo, e como nossa respiração está em contato com a respiração da Terra e como nós somos extensão da natureza, a Terra é nossa extensão. Depois de todos esses anos seguindo os ensinamentos xamânicos, hoje a minha rotina é toda equilibrada seguindo os ritmos naturais. Eu fico atenta às fases da lua, às estações do ano e através da auto-observação constante eu trabalho o autoconhecimento através de como eu interajo com esses ciclos.

 

 

Quais as experiências mais transformadoras que você já viveu e que foram responsáveis pela construção de quem você é hoje?

Tive muitas experiências transformadoras, uma das mais impactantes foi ter feito o Caminho de Santiago de Compostela no ano de 2000. Foram 31 dias caminhando sozinha, onde tomei coragem de fazer a grande mudança em minha vida. Foi depois do caminho que eu decidi sair da cidade onde eu nasci para viver na serra da Mantiqueira em São Paulo, e depois disso a outra experiência mais forte foi viver durante 3 anos na Chapada Diamantina, em uma casa sem energia elétrica, sem água encanada, onde eu pari a minha filha. Foram anos de profunda reclusão, justamente durante a gestação e puerpério. Foram 3 anos de iniciações xamânicas presencialmente com minha instrutora Sylvie Shining Woman e de profundas transformações internas.

 

 

Quais são os cursos e atendimentos você realiza e os objetivos de cada um?

Eu atendo com várias técnicas terapêuticas que aprendi por quase 25 anos de estudos e cursos. Além das técnicas xamânicas que vão desde a cristaloterapia, até jornadas xamânicas e resgate de alma, também atendo com reiki, ayurveda e florais e também com mapa astral cármico + mapa maia. Os cursos que ministro são de reiki, cristaloterapia xamânica e os cursos/ rodas de xamanismo além das cerimônias de tenda do suor. Tanto os cursos quanto os atendimentos visam resgatar o equilíbrio dos corpos físico, mental, espiritual e emocional.

 

 

Quais instrumentos você ensina a confeccionar e qual o poder contido em cada um?

Existem muitos instrumentos xamânicos que nos conectam ao nosso ser divino, dentre eles o bastão da fala e o escudo de poder.

 

Basicamente o que podemos aprender com relação à simbologia que envolve a roda e as direções?

O simbolismo da roda. Tudo na natureza é circular e espiralado, assim é o natural, o próprio desenvolvimento do tempo é cíclico. Em todas as culturas primordiais encontramos esse simbolismo como uma forma de conectar-se a natureza e deixar-se fluir com os ciclos naturais. O grande roubo da humanidade e do poder pessoal foi quando aprisionaram o tempo em um calendário linear, e proibiram as cerimônias de adoração aos diversos acontecimentos naturais como o início das estações (solstícios e equinócios) as celebrações das fases da lua. A dinâmica da roda consiste nas direções da rosa dos ventos e seu significado. Todo o contexto organizacional, cultural, religioso e de gestão das tribos eram baseados no poder dessas direções.

 

Sul, Norte, Oeste, Leste, cada direção com seu poder e significado:

 

DIREÇÃO SUL: No sul nos conectamos às águas, ao corpo emocional, à nossa criança mágica, trabalhamos a confiança, a entrega e a doação. Quando estamos em desequilíbrio, no sul encontramos o papel de vítima, o medo, e a sensação de solidão.

 

DIREÇÃO NORTE: No norte encontramos a nossa direção essencial, nos “norteamos”. Aqui nos conectamos ao ar, ao corpo mental, às idéias flexíveis, ao conhecimento e sabedoria e aos nosso ancestrais e mestres. Em desequilíbrio encontramos a rigidez mental, o egoísmo e a sensação de estar “sem rumo”.

 

DIREÇÃO OESTE: No oeste encontramos o portal do profundo feminino, o elemento terra, o nosso sonho sagrado, o cuidado com nosso corpo físico, a cura, a morte e a transformação. Quando resistimos a nos entregarmos a essa qualidade, encontramos a doença e a estagnação.

 

DIREÇÃO LESTE: No leste a luz se faz presente, é onde nasce o SOL, sagrado masculino, conexão ao nosso corpo espiritual, determinação e foco, onde renovamos nossa energia para alcançar o grande salto quântico de nossa existência, o nosso fogo sagrado. Quando não conectamos com essa força, estamos sem energia, desvitalizados com nosso fogo interno sem calor.

 

 

No Xamanismo existem orientações sobre a forma de se alimentar e a respeito da ingestão ou não de carnes?

Não necessariamente. O que acontece no Xamanismo é o profundo respeito por todos os reinos e seres. Os nativos consomem carne, mas não alimentam o negócio que atualmente existe no agronegócio. Eles honram o sacrifício dos animais para alimentá-los.

 

De que forma o acesso a este conhecimento pode transformar a forma de cada um ver a vida?

Acredito que não é o conhecimento em si que transforma, mas sim a forma como ele cria o despertar de consciência, e esse despertar tem a ver com o que toca o coração e isso é profundamente curador e transformador. O Xamanismo tocou meu coração pela simplicidade dos ensinamentos, pela pureza e eficácia no dia a dia e é por isso que independente da ferramenta, se o ensinamento toca seu coração, mergulhe.

 

 

Que tipos de relatos você já recebeu de alunos ou pacientes que vivenciaram diferentes transformações?

Sempre recebo mensagens de agradecimentos pela profunda transformação que esses ensinamentos e terapias fazem, mas o que sinto é a libertação que essas técnicas proporcionam. A liberdade de ser você mesmo.

 

Qual a mensagem que você deixaria para as pessoas?

Sonhe, mas ouse trazer esses sonhos para sua realidade tangível. Não espere o tempo certo. O tempo é aqui e agora.

 

 

E em breve, a cobertura completa do Curso de Xamanismo da Margareth, aguardem!