Top

Entrevista Guilherme Tanaka – Kundalini Yoga

Conversamos com Guilherme Tanaka, professor de Kundalini Yoga no Projeto X em Curitiba, criador e instrutor do Meditação da Correria, fundador do Projeto Delta, e membro e facilitador do Global Shapers.

 

Aqui ele fala um pouco da sua trajetória de vida, do yoga, das práticas de yoga, Kundalini Yoga, numerologia tântrica, indica uma prática que pode ser feita diariamente para relaxar, e muito mais, confiram:

 

COSMOPOLITAS: Você poderia falar um pouco da sua trajetória e de como o yoga entrou na sua vida?

GUILHERME TANAKA: O yoga entrou na minha vida em uma época em que eu estava bastante envolvido com a meditação. Antes disso eu tinha uma empresa com outros sócios, uma produtora audiovisual e nessa época eu não sabia nada sobre autoconhecimento, era como se isso não existisse pra mim. Sempre me questionei muito desde a época da faculdade, estudei Engenharia Mecânica, uma faculdade bastante analítica e exata, e ficava me perguntando “Será que é isso?”, será que eu nasci pra me formar e daí digamos, o exemplo clássico da Engenharia Mecânica em Curitiba é trabalhar na indústria automobilística ao redor daqui, em empresas conhecidas, e me perguntava “Será que a vida é isso mesmo?”. Na época eu ficava bastante confuso e via que os outros não questionavam muito isso. Enfim, na época da empresa eram muitas coisas pra fazer, muitas coisas novas pra descobrir e poderíamos fazer o que quísessemos na empresa. Era como se fosse um quadro em branco, e ao mesmo tempo eram muitas coisas e isso me deixava estressado, ansioso, como se nunca tivesse tempo para fazer tudo o que poderia. Eu estava bastante incomodado com o ritmo da vida e me questionava de novo, “Será que é isso? Eu larguei aquilo lá, me formei e agora estou fazendo outra coisa para não estar totalmente feliz, será que é isso mesmo?” Nessa época comecei a fazer exercícios de respiração. Eu não sabia nada, resolvi simplesmente parar durante o dia para tomar um chá e ficava respirando, respirando devagar e vi que isso me acalmava. Aí percebi que dava para seguir esse caminho. Comecei a fechar os olhos e a fazer sozinho em casa antes de dormir e notei que isso me acalmava muito. Só que eu não tinha nenhuma base técnica, nenhum livro e fiquei fazendo sozinho, comecei a pesquisar coisas na internet e a descobrir um pouco mais sobre o que era isso. Hoje eu vejo que eu não sabia o que era, estava descobrindo. Aí fiz um retiro de “Meditação Vipassana”, que é um curso de dez dias de meditação com dez horas por dia meditando. Lá foi muito profundo, eu não sabia explicar o que aconteceu, não tinha palavras, mas a experiência era muito intensa e viva. Depois disso comecei a praticar yoga. Como estava em uma época de transição, decidi sair dessa empresa em que era sócio e fui fazer o curso de formação de yoga. Comecei a fazer Kundalini Yoga com um professor, perguntei pra ele aonde fazer a formação e ele indicou o Instituto Nanak em Curitiba. Um dia fui lá e decidi fazer. Fazendo o curso de formação fui entender o vocabulário, a teoria, o que eu vivia de alguma forma, o que eu estava experienciando, e ali pude perceber que na verdade era muito mais, era uma infinidade de coisas. E foi assim que o yoga entrou na minha vida, eu nem planejava dar aulas, só queria fazer o curso, achava que eu poderia me aprofundar mais em autoconhecimento, mas aí logo senti vontade e comecei a dar aulas.

 

COSMOPOLITAS: Qual a diferença entre yoga e a prática de yoga?

GUILHERME TANAKA: O yoga significa essa união, essa percepção de que não existe separação. Isso é uma experiência, algo vivo, e que é muito difícil de descrever. O yoga é a percepção de tudo como uma coisa só. Só que não tem como falar sobre ele, só tem como experienciar e é além dos sentidos, é como se fosse um estado de pura observação, sem engajar com o que se observa. Sem negar, mas sem se identificar também. Existem muitas práticas de yoga, Gyana Yoga, Karma Yoga, Bhakti Yoga, os yogas tântricos Hatha Yoga, Kundalini Yoga, mas nem todos os yogas tem posturas e respirações. É como se fossem formas diferentes de dar condições para que essa percepção aconteça. Tem o Karma Yoga, em que você vive fazendo ações sem necessariamente focar no resultado delas, é o fazer totalmente envolvido, mas sem esperar que aquilo resulte em algo específico. Não é um desejo de que não dê em nada, é apenas ir fazendo e vendo a vida acontecendo sem necessariamente fazer algo por algum motivo, esse é o Karma Yoga. Tem os yogas tântricos, o Hatha Yoga, o Kundalini Yoga, que são yogas que tem uma visão de energia, de freqüências energéticas, de tudo o que há. Então através de respirações, posturas, meditações, é como se criassemos condições para ser quem realmente somos, e alcançássemos um estado para poder ter essa percepção. É um paradoxo porque a prática do yoga não consegue levar até esse estado, mas ela pode criar condições para que isso aconteça.

 

COSMOPOLITAS: Como escolher um método para iniciar a prática de yoga, existe o tipo ideal para cada um?

GUILHERME TANAKA: Cada um deve descobrir por conta própria. A resposta é meio clichê, mas é o que faz sentido mesmo. Há muitos caminhos porque toda vez que alguém vivenciou isso e permaneceu no yoga, nesta percepção de mundo, esse ser começou a falar e outras pessoas começaram a perguntar. Por isso há tantos mestres e linhas diferentes, porque a forma com que isso aconteceu em cada caso é uma, e cada um viveu práticas específicas. Por exemplo, Buda praticou muita meditação, diferente de outros mestres que nunca meditaram direito e simplesmente perceberam isso, enquanto que outros praticaram yoga, yoga, yoga e daí perceberam isso. Tem Bhakti Yoga, que de certa forma é uma devoção, de acreditar em um início, de que tudo é uma coisa só, de que existe um deus e de que você é isso, para depois perceber que você é isso que você mesmo está adorando. Isso acontece, então acho que o método para iniciar é o que está mais disponível na vida, aquele que um amigo chama para fazer, ou aquele que quando foi procurar viu um que pareceu interessante, vai lá faz e pratica, experimenta. Tem muitos caminhos diferentes e no fundo todos chegam ao mesmo lugar, então não importa muito. O principal é que essa prática seja sincera e verdadeira, e a idéia é que se chegue em algum lugar. Então no fundo o método ideal é o que te leva ao autoconhecimento, a perceber quem você é, com menos conceitos e mais experiências diretas da vida, da realidade.

 

COSMOPOLITAS: O que é o Kundalini Yoga e qual a sua visão?

GUILHERME TANAKA: O Kundalini Yoga é um yoga tântrico, que enxerga o mundo como energia, como freqüência. Esse que praticamos aqui foi ensinado por Yogi Bhajan que era um mestre de yoga, que no final da década de 60 chegou nos Estados Unidos e lá começou a ensinar essas técnicas, essa tecnologia do yoga que então usa respirações, pranayamas (exercícios de respiração), posturas, meditações, para criar condições de que possamos ficar em um estado mais natural. Neste estado natural percebemos com mais clareza à nós mesmos, o mundo, e em um nível mais avançado temos a percepção de que tudo é uma coisa só e isso liberta de qualquer tipo de angústia, ansiedade e sofrimento. E não é que não teremos essas sensações, tudo isso faz parte da vida, mas a relação que se passa a ter com elas é outra.

 

COSMOPOLITAS: Quais as principais diferenças entre Kundalini Yoga e outros métodos de yoga?

GUILHERME TANAKA: Antigamente o Kundalini Yoga era secreto, os ensinamentos só passavam de mestre para discípulo. Yogi Bhajan quebrou essa regra porque ele sentiu que as pessoas precisavam e ele estava disposto a fazer isso. Ele divulgou esse método no final da década de 60, então é algo muito próximo se compararmos com a vida do yoga que é milenar. É um yoga muito contemporâneo, e esse é um grande diferencial. O Kundalini Yoga foi aberto no momento em que vivemos, então as práticas servem muito para a forma com que vivemos, para a nossa mente e nosso corpo como estão hoje. Ele é bastante impactante energeticamente para que em uma aula, de uma hora e pouco, se tenha o impacto necessário para que possamos viver com essa energia disponível, com menos confusão e mais felizes. Outra coisa que tem a ver com isso é que as práticas são dadas da mesma forma que o Yogi Bhajan deu. Ele estava ensinando, as pessoas que estavam muito próximas começaram a compilar e aí nasceu o Kundalini Yoga, o método. Tem muito material compilado desde o começo, os kriyas, o que ele falava, palestras, aulas. É um yoga conhecido por ser bastante dinâmico e tem um impacto muito vivo, tem bastante respiração, mas os kriyas são bem variados, não dá para colocar um rótulo fixo.

 

COSMOPOLITAS: Quais os principais benefícios da prática de Kundalini Yoga?

GUILHERME TANAKA: Existem vários níveis de benefícios, desde físicos, emocionais, mentais e espirituais. Nos níveis físicos, atinge o próprio sistema orgânico, glandular e nervoso, pois o Kundalini Yoga atua para deixar tudo no seu estado natural. O que está rodando aqui dentro, embora a gente interprete os nossos pensamentos como tudo o que existe, está tudo interligado com o nosso sistema glandular, digestivo, está tudo conectado, o que está acontecendo dentro está acontecendo fora. E o equilíbrio glandular traz um equilíbrio emocional porque as glândulas estão totalmente ligadas com as emoções, elas controlam as emoções. Se equilibrar o sistema glandular as emoções também são equilibradas. Fisicamente traz um bem-estar para o corpo, ajuda a relaxar. Mentalmente começam a diminuir alguns condicionamentos e padrões que são o que nos fazem sentir angústias, sofrimentos e começa a desbloquear a identificação com as coisas que acontecem. Já no nível espiritual, de autoconhecimento, você começa a perceber naturalmente por mudar todas essas estruturas do corpo, os chakras, sistemas glandulares e nervoso, começa a ter uma percepção mais clara de quem é, e isso é muito rico, descobrir quem é, além do que achamos que é, como experiência é um grande benefício.

 

COSMOPOLITAS: Quais são as etapas de uma aula de Kundalini Yoga e qual a importância de cada uma delas?

GUILHERME TANAKA: A primeira etapa é entoar o “Adi Mantra” que é “Ong Namo Gurudev Namo”. Essa estrutura de aula foi ensinada pelo Yogi Bhajan, então tem um propósito. O Adi Mantra é como se fosse uma sintonização, uma conexão. Os mantras são frequências em que vibramos, então é como se estivesse sintonizando com essa cadeia dourada do Kundalini Yoga. Yogi Bhajan tem uma conexão com dez gurus da Índia, que foi uma sucessão de gurus do “Sikh Dharma” até tem uma religião que derivou disso é o Sikhismo. O Kundalini Yoga tem uma relação com o Sikh Dharma, não necessariamente com a religião, mas com os ensinamentos desses gurus que começaram com o Guru Nanak. Mas falando do mantra, é uma sintonização para começarmos a aula conectados com essa cadeia dourada e começar a prática com a mente quieta. Depois tem o “pranayama” que é um exercício de respiração. O pranayama é usar a mente e a respiração, que são interligadas. Então, quando mudamos o padrão da respiração, também mudamos a forma em que a mente está rodando. Os pranayamas também desbloqueiam os canais energéticos, pois a narina esquerda e direita são canais bem importantes.

Depois fazemos uma série de posturas que se chamam “kryia”, que tem a função de levar essa energia, o prana que está no ar, para dentro de todos os nossos corpos. Com as posturas, estamos revitalizando as nossas energias.

Por isso se fala em chakras, se fala em 11 corpos vibracionais mapeados pelo Kundalini Yoga, então as posturas são para deixar as energias equilibradas para que tenhamos essa condição de estar em um estado mais natural para que a percepção do yoga possa acontecer.

Depois tem uma postura de relaxamento chamada “shavasana” pra que essas energias que foram movimentadas se estabilizem por todo o corpo, quando permanecemos conscientes e ao mesmo tempo totalmente relaxados, sem nenhum esforço. Quando não estamos fazendo nenhum esforço, ficamos só percebendo. Esse é um exercício bem importante, quando falamos nessa percepção do yoga. O shavasana é um momento em que isso pode ficar bem claro. Se você não está fazendo nenhum esforço com o seu corpo, com a sua mente, e você continua vendo esse movimento, então pode ser uma percepção de que “Ah não sou eu que estou fazendo isso”, então eu não sou os pensamentos ou as emoções. Isso virou um jargão, mas que precisa ser experienciado, então, shavasana é o momento em que isso pode acontecer. Isso também pode acontecer em qualquer momento da prática e fora da prática também. Depois do shavasana tem uma meditação. No yoga é muito importante que tenha meditação, porque é nesse momento também que o aquietamento da mente pode acontecer e quando a mente está quieta e continuamos percebendo coisas, começamos a ter uma clareza maior do que realmente estamos pensando, do que está acontecendo. “Se não sou eu que faço isso, o que é isso?”, ou “Quem sou eu?”, são perguntas profundas que  começam a vir como experiências vivas. No final cantamos a canção do sol e entoamos o mantra “Sat Nam” que significa “nossa verdadeira identidade”, “quem sou eu”. A verdadeira identidade é sem identidade, pois quando não temos identidade estranhamente nos tornamos tudo, e quando temos identidade somos aquilo em que acreditamos.

 

COSMOPOLITAS: Quais são os principais “mantras” recitados e o seu significado?

GUILHERME TANAKA: “Sat Nam” que significa “nossa verdadeira identidade”; “Ware Guru”, que é um êxtase de consciência, é como se essa percepção do yoga acontecesse, é como perceber “Nossa, é isso que está acontecendo aqui e agora, saí da sombra para a luz, saí da ignorância de mim mesmo, de tudo o que há, para a sabedoria que é uma experiência, e eu sei o que é isso, não com a mente e conceitos, mas como conhecimento vivo, uma sabedoria”.

Tem também “Humme Hum Brahm Hum” que significa que nós somos o que somos, somos o infinito. No Kundalini Yoga se usa muito esse termo “infinito”. Tem o finito que é o que achamos que somos, o corpo e a mente, e tem o infinito que é consciência, que é tudo o que existe, sem forma ou com forma.

 

COSMOPOLITAS: Quais são as músicas mais presentes nas suas aulas?

GUILHERME TANAKA: Tem muitos mantras e também tem muito “shabad”, que são textos sagrados que os gurus deixaram, e essa vibração tem um efeito. Tem um livro com os ensinamentos desses 10 gurus, que é o “Guru Granth Sahib”, e lá tem os ensinamentos do “Sikh Dharma”. Muitos textos recitados por estes gurus foram transformados em mantras musicados. Os artistas que tem uma relação com isso resolveram fazer músicas e tem muitas, uma infinidade, chega realmente ser uma indústria do entretenimento.

 

COSMOPOLITAS: Existe uma freqüência mínima ou máxima indicada para a prática ou períodos do dia mais propícios?

GUILHERME TANAKA: O ideal é fazer todos os dias, mas como temos aulas duas vezes por semana, é indicado fazer pelo menos com essa frequência. Fazer yoga todos os dias tem efeitos muito especiais se considerarmos que a prática está nos levando a um estado mais natural para viver a vida, nos preparando para fazer tudo o que precisa ser feito, sem fugir de nada, pois ficamos com uma energia muito disponível, que flui. Quanto mais equilibrados estivermos, tudo se torna mais natural. Qualquer horário é bom para a prática, mas o horário mais indicado é antes do nascer do sol, pois é quando o campo eletromagnético da terra está propício para que essa percepção mais sutil fique facilitada e potencializada, entre 4 à 6 da manhã.

 

COSMOPOLITAS: Você poderia citar algumas posturas menos conhecidas que fazem parte da prática de Kundalini Yoga e qual a sua função?

GUILHERME TANAKA: No Kundalini Yoga sempre seguimos os “kriyas”, então as posturas já estão definidas. Os kriyas possuem inúmeras posturas, desde as mais conhecidas de yoga, até outras que surpreendem, como estar com a língua para fora e fazendo coisas que poderiam ser consideradas estranhas. Enfim, todas as posturas tem o desenho perfeito para que energeticamente aquilo aja. No fundo, cada uma tenta fazer algum estímulo no sistema glandular ou nervoso, como ao colocar a língua para fora. Isso é uma coisa muito complexa e que é mapeado pelo conhecimento do yoga. O yoga é muito completo, e foi mapeado por pessoas que tinham essa experiência direta, sem dúvida do que estavam sentindo.

 

COSMOPOLITAS: Quais as sensações mais comuns durante e após a prática e o que elas significam?

GUILHERME TANAKA: É comum ter diferentes sensações ou às vezes também não sentir nada. Em geral, nas práticas estamos mudando o padrão de respiração e energético. Com isso, começa a mudar também o padrão do pensamento, do sistema glandular, nervoso, isso pode dar sensações de relaxamento, pode sentir raiva, pode sentir tudo, tudo é possível sentir, inclusive nada. E a idéia é que cada um deixe isso acontecer e fique nesse estado de observação pura, porque isso seria meditação. Praticando ou não meditação, a meditação é observar puramente sem tentar pegar, sem tentar mandar embora. Embora a gente pratique e é algo que pode acontecer o tempo inteiro, quem está neste estado e vive isso percebe as coisas acontecerem sem necessariamente se envolver com elas, mas ao mesmo tempo estando totalmente presente.

 

COSMOPOLITAS: Você indicaria algum exercício que pode ser feito no dia-a-dia para trazer momentos de relaxamento e paz interior?

GUILHERME TANAKA: Sim, tem muitas coisas que podem ser feitas, o Kundalini Yoga tem muitas meditações, pode-se selecionar uma delas e fazer todos os dias. A Numerologia Tântrica ajuda a ver qual seria uma meditação interessante para cada um fazer. Mas uma coisa que é simples, que não precisa nem saber o que é yoga, é respirar longa e profundamente durante o dia, quando lembrar, ou escolher respirar por 1 minuto ou 3 minutos longos e profundos, usando toda capacidade do pulmão lentamente. Quem quiser contar pode inspirar em 5 tempos, segura 5 e exala 5, ou até mais, 7, 7 e 7. Isso já tem um efeito muito poderoso.

 

COSMOPOLITAS: Quais áreas formam a base teórica do Kundalini Yoga?

GUILHERME TANAKA: A Numerologia Tântrica, pranayamas, meditações, posturas. Yogi Bhajan falava também sobre alimentação, estilo de vida, relacionamentos, humanologia, que traz essa visão tântrica de energia e a relação do homem e da mulher.

 

COSMOPOLITAS: O que é a numerologia tântrica e de que forma ela contribui para uma vida plena?

GUILHERME TANAKA: A Numerologia Tântrica é mais uma ferramenta super relevante do Kundalini Yoga e que com base nessa visão de que tudo é energia, a partir da data de nascimento consegue-se calcular quais desses 11 corpos vibracionais podem ser olhados com mais atenção para cada pessoa. Os corpos vibracionais são as freqüências que nos compõem, tem características no dia-a-dia que conseguimos falar, sentir o que está equilibrado e desequilibrado, por exemplo com relação a  como se percebe, como percebe o mundo,  dom, talento, missão de vida e é possível com todo esse pacote de ferramentas, atuar para ajudar na percepção de quem somos, para simplesmente ser quem somos, e isso é o mais libertador.

 

COSMOPOLITAS: Por que estamos sempre em busca de algo?

GUILHERME TANAKA: É uma boa pergunta, mas a prática de yoga ajuda a ter uma clareza maior sobre isso. A vida tem o seu próprio movimento, as coisas acontecem e não tem como pararmos isso. Somos parte deste movimento. Não sei por quê, mas começamos desde pequenos a nos identificar com algumas coisas que são os pensamentos que temos, com as emoções que estamos sentindo, talvez por causa da forma em que vivemos mesmo, da forma em que somos tratados, pois somos tratados como seres individuais, temos nome, e isso é um fato, isso existe… Mas em um entendimento mais profundo dessa experiência, é como se, sim, tudo isso existisse, mas é como se tudo fosse uma coisa só, um grande sistema. Então o por quê estamos buscando algo vem muito da interpretação do que está acontecendo com a nossa vida. Se achamos que vamos conseguir algo com esse movimento de busca, acreditamos que vamos chegar à algum lugar, mas não é necessariamente isso o que acontece. Por isso, o autoconhecimento é o que liberta e possibilita descobrir que o movimento da vida acontece. A diferença é se olhamos pra isso e achamos que vamos chegar em algum lugar ou se percebemos que já está tudo certo e continuamos vivendo a vida sem ter que chegar em algum lugar. Então, estamos sempre buscando algo se achamos que vamos chegar em algum lugar. Se nos damos conta de que não tem nenhum lugar pra chegar e mesmo assim continuamos fazendo, trabalhando, dando atenção à família, projetos, aí tudo vira uma diversão, um movimento que acontece naturalmente.

 

COSMOPOLITAS: Qual a mensagem que você deixaria para as pessoas?

GUILHERME TANAKA: Que investiguem, busquem descobrir quem são, no fundo no fundo, e isso é a maior resposta de todas.

 

Créditos: Foto – Felipe Feijó

X